Uma
pequena resenha crítica sobre os artigos Cidade Saudável X Cidade Sustentável e
O acesso às ações e serviços de saneamento básico como um direito social
Por Elisete Vidotti
Residência em
Arquitetura, Urbanismo e Engenharia, UFBa – Universidade Federal da Bahia
Salvador, 08/12/2015
A partir da leitura dos dois
artigos: Cidade saudável X Cidade
sustentável, de Maria Teixeira; e O
acesso às ações e serviços de saneamento básico como um direito social, de
Patricia Borja e Luiz Moraes; podemos ver como estes dois assuntos estão
interligados, não somente pelo foco do texto, que é o saneamento básico, mas
como a aplicação dos serviços básicos como um direito social podem ser
entendidos como base para a aplicação de uma Cidade saudável e sustentável.
Patricia Borja e Luiz Moraes
nos dão uma ideia geral de como o saneamento tem diversos enfoques e pontos de
vista em diferentes momentos da história do país. O saneamento básico no Brasil
diverge entre dois pólos: o democrático e o neoliberal. Como democrático,
entendemos que o saneamento básico deve contemplar os seguintes aspectos:
- · Responsabilidade do Estado na prestação dos serviços;
- · Participação social desde a identificação das necessidades à definição de prioridades das soluções adotadas, planejamento, acompanhamento e avaliação;
- · Descentralização, com o fortalecimento dos municípios e articulação dos órgãos envolvidos nas três esferas do Governo;
- Prioridades definidas segundos critérios epidemiológicos.
Já como o saneamento básico
entendido na esfera neoliberal, temos esse objeto como “um investimento necessário à reprodução do capital e submetido à
lógica empresarial, tendo a auto-sustentação como pressuposto fundamental”.
Isso pode ser visto por meios das políticas a partir da década de 1990, que
visam à privatização dos serviços de saneamento.
Essas discussões vão e vêm,
dependendo do contexto social e político da época. O Brasil em que vivemos
passa por um momento de transformações e lutas para conhecimento do saneamento
básico como um direito social. Temos um grande contingente de pessoas vivendo
nas grandes cidades, e o saneamento não é distribuído de forma igualitária, já
que a política que prevalece na sociedade é a lógica de mercado e a privatização
desse serviço, inatingível a camadas populacionais mais baixas, que são
atingidas diretamente com a ineficiência e até inexistência desse serviço, ao
contrários de cidades nos países desenvolvidos.
Podemos perceber a
ambiguidade com que é tratada essa questão, o que dificulta a ação para a
promoção de uma Cidade Sustentável, como fala a autora Maria Teixeira. Em seu
texto, ela começa com a seguinte frase: “Não pode haver desenvolvimento sem
saneamento básico para todos”, tratando das cidades centrais, onde os serviços
de saneamento básico atendem 100% da população, em comparação com cidades
subdesenvolvidas e em desenvolvimento.
O processo de urbanização
acelerada e a falta de planejamento urbano e ambiental, juntamente com a forma
desigual como é tratado o abastecimento de água tratada, o manejo de esgotos
sanitários e resíduos sólidos culminam para um processo de degradação
ambiental, afetando a saúde da cidade e da sociedade.Entender o saneamento
básico e ambiental como política social pode se tornar o caminho para a
promoção de uma Cidade Saudável e Sustentável.
A sustentabilidade é um
assunto com forte repercussão no momento. No Brasil, essa expressão surge com
maior força após a ECO 92, na cidade do Rio de Janeiro. De forma geral,
entende-se sustentabilidade como “a
capacidade que o indivíduo ou um grupo de pessoas tem em se manterem dentro de
um ambiente sem causar impactos a esse” (BRASIL SUSTENTÁVEL). Sob essa
perspectiva, podemos dizer que uma cidade sustentável visa a garantir o
equilíbrio entre o meio natural e o antropizado, por meio de um “urbanismo ambientalmente correto e
sustentável correlacionados aos seguintes aspectos do projeto urbanístico:
acessibilidade, evapo-transpiração, conforto térmico da paisagem, segurança
geotécnica, infraestrutura de saneamento básico, salubridade, eletrificação e
radiação, segurança do meio ambiente, tratamento dos cursos d’água, preservação
dos ecossistemas naturais e tratamento dos assentamentos humanos”
(Teixeira, Maria).
Maria Teixeira define cidade
sustentável como “aquela em que as
autoridades políticas e civis; as instituições e organizações, públicas e
privadas; os proprietários, os empresários, trabalhadores e a sociedade dedicam
esforços constantes para melhorar as condições de vida, trabalho e cultura da
população; visando uma relação harmoniosa com o meio ambiente físico e natural,
além de expandirem os recursos comunitários para melhorar a convivência,
desenvolver a solidariedade, a co-gestão e a democracia”.
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