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Novos Paradigmas Ambientais: desenvolvimento ao ponto sustentável



(BRAUN, Ricardo. Novos Paradigmas Ambientais: desenvolvimento ao ponto sustentável / Ricardo Braun. 3 . Ed. – Petrópolis, RJ: Vozes, 2008)


    Ricardo Braun é doutor em Ciência Ambiental pela Universidade de Aberdeen na Escócia. Trabalha à quase 30 anos como profissional na área ambiental tanto no Brasil quanto no exterior, desenvolvendo trabalhos como avaliações ambientais estratégicas (AAE) para organizações governamentais, não governamentais, palestras e cursos em universidades. Atua como pesquisador no Núcleo de Análise de Sistemas Ambientais (CNPq/UFRJ), do Aberdeen Centre for Environmental Sustainability (ACES) Universidade de Aberdeen e do Maya Project no Reino Unido. O livro “Novos Paradigmas Ambientais, desenvolvimento ao ponto sustentável” é uma reunião das experiências de suas viagens a diversos países tanto através de trabalhos com o meio ambiente como viagens pessoais.

     O livro começa com uma análise sobre o modo de vida, de produção, de organização da sociedade e sua relação com o crescimento dos problemas ambientais, ressaltando como a revolução tecnológica afastou gradativamente o homem do contato com a natureza e o quanto essa desconexão se rebate sobre o estilo de vida atual. Aponta a necessidade de uma mudança interna profunda e verdadeira em cada indivíduo para que se possa atingir a real sustentabilidade, destacando que apenas os esforços convencionais para combater a crise ambiental são insuficientes e superficiais, pois não resolvem a base do problema. O autor defende o desenvolvimento da ecologia interna, para que se alcance o autoconhecimento e controle emocional e isso se reflita no ambiente externo e num desenvolvimento de fato sustentável. O equilíbrio interno para o autor seria o equilíbrio entre mente, corpo e espírito.

    Em alguns capítulos do livro, o autor relata a experiência de algumas ecovilas e comunidades sustentáveis nacionais e internacionais, mostrando como os novos paradigmas ambientais vêm sendo aplicados na prática nesse modo de vida alternativa, através da permacultura, ecologia profunda, tecnologias ecológicas, dinheiro verde e espiritualidade. Nos exemplos descritos por Braun, nota-se que há uma relação de maior proximidade e profundidade com a natureza, buscando a partir dessa relação conhecimentos que estão além dos científicos, e que ajudam na construção de uma vida mais equilibrada entre as pessoas e das pessoas para com o meio que habitam. Por isso as atividades de meditação são tão presentes em praticamente todas as experiências, por favorecerem essa conexão com o que há de mais essencial na vida. Mesmo as comunidades que não tem como objetivo principal serem ecológicas, possuem outra forma de pensar e se relacionar com a natureza, e são consequentemente menos impactantes. Por isso Braun defende que a espiritualidade é o primeiro passo no caminho do desenvolvimento sustentável.

    O autor também explica alguns conceitos base da sustentabilidade, como a Ecologia Profunda e a Permacultura. Para explicar a Ecologia Profunda Braun toma como base os estudos do filósofo norueguês Arne Naess e do físico Fritjof Capra. Segundo Naess, para que haja uma maior integração e harmonia com a natureza é necessário questionar a visão de Mundo atual e mudá-la. Isso quer dizer deixar de lado a visão de sociedade tecnocrata-industrial e de superioridade do ser humano em relação aos outros seres. A Ecologia Profunda considera o homem como parte da teia da vida e de todos os seus processos, onde a diferença entre o homem e as outras espécies seria exatamente sua capacidade de desequilibrar o sistema. Dessa forma a espécie humana é colocada como diretamente responsável por seu destino e o das outras espécies, por ser a única a praticar ações desconectadas aos processos naturais. A Ecologia Profunda apresenta um sentido mais espiritualizado para a relação homem/natureza, a fim de despertar uma consciência profunda e uma mudança de atitude através de uma identificação do homem com a natureza.

    Braun também explica sobre a Permacultura, que é uma prática muito comum em comunidades sustentáveis, principalmente em Ecovilas. O termo Permacultura significa agricultura permanente, mas possui um significado mais amplo, referindo-se a cultura da sustentabilidade. A permacultura engloba o conjunto de soluções sustentáveis em diversas áreas (cultura, educação, saúde, economia, tecnologia e outros) que são aplicadas nesses tipos de comunidades. Algumas soluções são, por exemplo, reciclagem, coleta e reuso de água, bioarquitetura, agricultura orgânica, medicina holística, decisões coletivas entre outros. Ainda dentro do capítulo sobre permacultura o autor explica um pouco sobre permacultura na agricultura e o permadesign, que está relacionado à produção de objetos ecologicamente corretos e duráveis. Ainda nesse capítulo Braun explica um pouco de arquitetura ambiental, comentando exemplos de construções feitas com materiais alternativos em diversas comunidades sustentáveis. Fala sobre a relação entre a paisagem e a arquitetura destacando a necessidade de se aprofundar os conhecimentos sobre a área que será construída para que se consiga uma integração e menor impacto. Aborda a sustentabilidade dentro do processo de construção de edificações de uma forma mais profunda, destacando a necessidade de se pensar holisticamente durante todo o processo.

    No capítulo sobre dinheiro verde o autor destaca a importância dessas tentativas de mercado alternativo, onde não há especulações, juros e produção de dívidas presentes no sistema financeiro adotado nos centros urbanos. Comenta sobre o sistema Lets (sistema de trocas), explicando como funciona e ressaltando os pontos positivos desse tipo de iniciativa, onde há uma valorização real e justa do tempo e energia que as pessoas disponibilizam para realizar trabalhos que são por sua vez trocados pelo trabalho de outras pessoas ou produtos. Destaca também que esse tipo de sistema contribui para uma maior integração e confiança entre as pessoas, fortalecendo os grupos locais, por isso é muito usado em Ecovilas e Comunidades Sustentáveis. Porém existem desvantagens, como a dificuldade de administração dos créditos e débitos quando existe um grande número de participantes e também pelo fato das pessoas não conseguirem suprir todas as suas necessidades apenas com dentro desse tipo de iniciativa, recorrendo também ao dinheiro convencional. De qualquer forma, é uma iniciativa muito válida e uma alternativa a economia insustentável global.

    Por fim Braun comenta sobre os desafios desses novos paradigmas frente à sociedade atual, destacando que o processo de aceitação e incorporação do estilo de vida alternativo e das novas soluções em desenvolvimento será lento, pois a incorporação dessas soluções requerem várias mudanças sociais, pessoais, econômicas, ambientais e que só ocorrerão quando as pessoas estiverem abertas e dispostas a superarem velhas crenças e mudarem velhos hábitos.



(Fonte da imagem: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgs3b_YJmODbnnwI7oKydByy7A_XFDbuPABxCf-40qipS7qRPaT3dzSTYwuSvWu3Q86gNsWMWmBPnQ0pAiwv-73pqxseWa7qybqNEc3o3Zeh6EQmYq46x0p5AUzUFv4HCjIxCKwQD1t_Fze/s1600/CAPA+copy.jpg)

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