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Por uma sobriedade feliz

    
(VIVERET, Patrick. Por uma sobriedade feliz. Tradução: Débora Nunes. Salvador: Quarteto Editora, 2012.)


    Em seu livro “Por uma sobriedade feliz” o filósofo francês Patrick Viveret aborda de maneira abrangente, com base em seus conhecimentos e algumas experiências de vida, a crise global, suas causas e alternativas, ressaltando a necessidade de uma mudança profunda tanto pessoal quanto coletiva para que se obtenha resultados positivos quanto ao futuro da humanidade.
Patrick apresenta a crise financeira como uma parte de uma crise que na verdade é sistêmica. Trata-se de uma crise geral, onde a crise financeira está conectada à social, ecológica, econômica. A partir disso o autor aponta para a necessidade de soluções conjuntas, criticando o fato de sempre se conseguir dinheiro para resolver crises financeiras e das “dificuldades” criadas para resolver problemas sociais básicos.

    Ainda sobre o sistema financeiro, o autor cita exemplos que explicam como a economia tem funcionado de uma forma em que grande parte das riquezas que dão origem ao PIB (Produto Interno Bruto) das nações provém de destruição. Segundo ele o sistema financeiro é baseado na euforia e no pânico, e esse fator se estende por todos os outros setores da sociedade capitalista, inclusive no próprio modo de vida de grande parte das pessoas atualmente.

    Segundo o autor, a crise atual está relacionada, sobretudo com uma crise de crenças, e para que esta seja superada é necessário que haja uma aceitação de limites. Essa aceitação de limites deve ser acompanhada por uma qualidade de vida real, para que as pessoas de fato possam acreditar que uma mudança positiva é realmente possível. Patrick coloca que a qualidade de vida deve ser uma questão pública e não privada. O mal viver, imposto pelo sistema capitalista, é chamado por ele de par excitação/depressão, e este deve ser substituído pelo par intensidade/serenidade (bem viver), que traduz o que o autor chama de “sobriedade feliz”.
Para ser possível superar a crise o autor explica sobre a modernidade e a necessidade de fazer uma triagem de tudo que a humanidade construiu durante esse período, resgatando seus feitos positivos. Também é necessário perceber e valorizar o que cada sociedade tem de melhor (as ocidentais e orientais), e estabelecer um diálogo entre as civilizações, aberto e abrangente, para que as questões atuais sejam superadas de maneira coletiva.

    Por fim o autor aborda o desafio ecológico, analisando os riscos que a ação humana tem provocado à biodiversidade e a vida do planeta de modo geral, comentando sobre os problemas ambientais e as mudanças climáticas. Promove uma reflexão profunda sobre o que realmente está em jogo em relação ao destino da humanidade, destacando a necessidade de consciência para fazer bom uso das tecnologias e avanços criados pelo homem, da necessidade de se elevar essa consciência ao nível da ciência atual. Para que isso seja possível o autor retoma alguns princípios presentes no pensamento ecológico, como o princípio da responsabilidade, que inclui o sentimento de pertencimento à natureza, capaz de promover a mudança de atitude e pensamento necessária nos tempos atuais. Patrick inclui a pausa nessa mudança em direção à consciência. Ressalta a necessidade de diminuirmos nossos próprios ritmos para que se tenha uma vida de significado e equilíbrio, pois segundo ele a humanidade está ameaçada pela sua própria inumanidade.

(Fonte da imagem: http://www.ateliercasadecriacao.com.br/wp-content/uploads/2012/08/sobriedade.jpg)

Livro completo aqui

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