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A lenda do surgimento da permacultura



"Quando chegou o fim de tarde desmontaram os *Yurts, carregaram os camelos com os mantimentos e seguiram viagem. Viajavam por um lugar que lhes confesso, não sei onde fica. Mas que se parece com o Rio Grande de outrora, quando as temperaturas eram mais quentes e os ventos mais secos. Eram haussás, mameluques e mongóis, eram uma caravana de fugitivos. Todos eles estavam sendo perseguidos pelo xeque da região. Eram acusados de não pagar impostos, de logro e de roubo. Eram julgados por seus costumes diferentes, eram vistos como bruxos. Quando a lua se fez nova, encontraram um lugar para montar acampamento, onde as crianças pudessem descansar, as mulheres preparar a comida, os homem se distraírem e os animais beberem água. Estavam em um pequeno oásis em meio ao deserto. Enquanto montavam as fundações e erguiam as lonas, um viajante do deserto se aproxima sozinho na noite, trazendo uma mensagem: 

- O Xeque do norte está vindo com seu exército nessa direção e deverá chegar aqui no período de uma lua. Aqueles que forem foras-da-lei devem partir depressa, se não desejarem ser encontrados.

A notícia criou discordância na tribo. Alguns afirmavam que era necessário partir, no entanto a maioria sabia que uma viagem as pressas pelo deserto iria trazer graves conseqüências. Para resolver a discórdia fizeram uma grande reunião naquela noite. Após muita discussão, um ancião tomou a palavra. 

- Meus amigos, minhas amigas, meus familiares. Nós somos filhos do deserto, somo nômades por natureza. Há incontáveis gerações nossas linhagens sobrevivem neste deserto impetuoso. Não cometamos o erro de subestimá-lo em uma viagem que não temos condições de fazer…

 Neste momento o ancião foi interrompido por alguns murmúrios de desaprovação, mas novamente se impôs: 

- Nós somos perseguidos porque somos diferentes, porque não marchamos ao som do mesmo tambor que o inimigo, porque preferimos nos guiar pela batida do coração, pelo som do vento, pelos ciclos da lua. Não precisamos fugir, eu lhes digo, filhos do deserto – vamos parar de fugir, vamos enganá-los. 
- Como? Como? – Muitos perguntaram. – É impossível! – Alguns ainda disseram. 

O ancião ergueu seus braços para que todos silenciassem e começou a explicar seu plano. Durante 28 dias, isto é, até a próxima lua, eles iriam trabalhar arduamente para construir uma cidade no oásis, e então, quando o exército do Xeque chegasse não iria reconhecê-los como nômades fugitivos, mas sim, como aldeões ou camponeses. Para construir precisavam ser rápidos, por isso usaram apenas o que o que o oásis oferecia: bambus, lonas, cordas e barro. É impressionante como estes simples materiais se transformam em eficientes e belas construções. O trabalho era árduo, e só podia ser realizado a noite devido ao clima do deserto, mas por outro lado, fez com que todos da tribo se unissem em um único propósito. Alguns descobriram que eram artesãos natos ao trabalhar com bambu, outros que eram escultores ao trabalhar com barro. Mas o que mais chamava atenção é que todos construíram juntos. E construindo juntos, perceberam que era possível cultivar a terra fértil do oásis. Parece que em certo ponto podiam saber um, o que o outro estava pensando, e assim trabalharam, construíram e plantaram. Certa noite o céu ficou completo em noite de lua cheia e então tudo floresceu, a própria lua queria o crescimento das plantas. No entanto, até a sombra da lua passando devagar pelas areias frias da noite, lentamente minguava anunciando o fim do prazo. Na terceira noite de lua cheia, realizaram uma grande festa, o trabalho estava completo. A construção que trouxera harmonia entre as famílias, também harmonizou a caravana com a natureza do local, despertando os olhos de todos, cada homem, mulher, criança e velho para as verdadeiras necessidades da vida. Contudo, o exército devia chegar a qualquer momento. E assim aconteceu, no entardecer do dia que sucedeu a festa. 

- Este povoado não deveria existir aqui! Quem são vocês e de onde vêm? – Gritou o porta-voz do xeque às portas da cidade. O ancião aproximou-se dele e respondeu:

- Nós somos Celtas, e como podes ver, não viemos de lugar nenhum. Estamos aqui desde que nossos ancestrais descobriram esta terra tão generosa. Se quiserem, temos muitas iguarias para trocar.

- No entanto, se vivem nestas terras, devem pagar impostos ao xeque a quem elas pertencem. – Indagou o porta-vóz.

- Nós pagamos impostos ao xeque do sul. Se é de seu interesse discutir a quem pagamos nossos tributos sugiro que vá conversar com ele. Está acampado a poucos dias de viagem daqui. – Retrucou o ancião. O porta-voz ordenou a alguns homens que inspecionassem a cidade. Enquanto isso ele iria pessoalmente informar seu xeque sobre a situação da tribo. 

-… Eu não confiaria neles meu senhor. – Continuou o porta-voz.

- Não há mais o que discutir! Os soldados já inspecionaram tudo, a cidade tem estrutura de quem já vive aqui há gerações, além disso, não tenho o menor interesse em provocar o xeque do sul. Este povoado não vale isso. Assim, naquele entardecer o exército do xeque do norte tornou-se uma sombra em meio as areias do deserto. Partiram, é claro, não sem antes realizarem um escambo com a tribo."

(Yurt: tenda ou cabana usada tradicionalmente pelos pastores mongóis.)


Fonte:http://agenciapulp.com/wp_rastro/28-dias-a-lenda-do-surgimento-da-permacultura/

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