Sobre o Artigo "Um mundo sem crescimento"
KEMPF, Hervé. Un monde sans croissance. L’atlas des
utopies. 200 Cartes. 25 Siècles d’Histoire. Le Monde, Hors Série, Paris, v.24, n.1, p.116 – 117, out/2012.
São muitas as
discussões em torno dos destinos da economia, do processo de globalização e dos
problemas ambientais atuais. O artigo “Um mundo sem crescimento” da revista
francesa L’Atlas des Utopies (publicação de outubro de 2012), traz a visão dos
críticos Jean Badrey, Mathilde Szuba, Pierre Larrouturou, Didier Harnagès e outros
sobre esses assuntos.
Um mundo sem
crescimento é uma utopia? Segundo os críticos do crescimento não é. Na verdade
aqueles que ainda acreditam que o crescimento ainda acontecerá por um logo
período é que são os útopicos, pois o crescimento vai parar devido ao fim dos
recursos e o aumento da poluição ambiental. Dessa maneira, o crescimento do
mundo, com o auge do petróleo e as mudanças climáticas materializará limites
visíveis. Para Didier Harpagès, um mundo sem crescimento seria um mundo sem
petróleo, ou onde este fosse terrivelmente caro.
Segundo os críticos do
crescimento, o crescimento nos países ricos não deve parar daqui a vinte ou
trinta anos, e sim agora. Segundo eles a economia estará sujeita a restrições
sociais e ambientais, não funcionando mais separadamente, como ocorreu. Apesar
disso, é possível sim ter boa qualidade de vida dentro desse contexto.
Segundo Selon Pascal da
Costa (professor de economia da École centrale Paris): a única possibilidade de
crescimento a longo prazo envolve um processo de desmaterialização da economia,
ou seja, os recursos são substituídos (os não renováveis pelos renováveis),
onde seja usada uma taxa que permita a regeneração do estoque. Caso contrário,
vai ocorrer um declínio geral, com uma corrida frenética pelos recursos, que a
levará a ruína. Dessa forma deve integrar o custo da poluição aos preços dos
produtos, e através de cálculos econômicos se chegou à conclusão de um imposto
de 700 euros por tonelada de CO2. Outras soluções mais radicais para o problema
do carbono dizem respeito a seu racionamento, através de cotas de emissão de
CO2 que não poderiam ser ultrapassadas.
A palavra-chave dos
críticos do crescimento é “relocalização”. Segundo Serge Latouche, a primeira
coisa a fazer é desglobalizar, para criar um tecido econômico, social, cultural
a nível local, em um espaço razoável, que tenha consistência.
Os críticos também
relacionam o mundo sem crescimento com a relação de mudança de tempo, apontando
uma vida mais calma e com mais tempo. Em seu livro “Por uma sobriedade feliz”,
Patrick Viveret também fala da relação de tempo, apontando a necessidade da
pausa e diminuição do ritmo de vida.
Para os críticos do
crescimento um mundo sem crescimento seria uma sociedade livre, com transportes
em comum, escola gratuita e outros. A economia teria uma desmercadorização, e a
renda criada viria do euro, das moedas locais e dos serviços gratuitos. Segundo
eles, um dos pré-requisitos para se mover nessa direção é o de reduzir as
desigualdades que existem hoje.


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